sábado, 8 de agosto de 2009

Papai meu querido!



Existe um homem que se esmera no comprimento do dever para dar bom exemplo:
Que fica humilde, quando poderia se exaltar;
Que chora a distancia, a fim de não ser observado;
Que, com o coração dilacerado, se embrutece para se impor como um juiz inflexível;
Que, na ausência, usam-no como temor para evitar uma ação menos correta;
Que quase sempre, é chamado de desatualizado;
Que apenas fisicamente, passa o dia distante, na labuta, por um futuro melhor;
Que, ao fim da jornada, avidamente regressa ao lar para levar muito carinho e, às vezes, pouco receber,
Que está sempre pronto a ofertar uma palavra orientadora ou relatar uma atitude benfazeja que possa ser imitada;
Que, muitas vezes passa noites mal dormidas a decifrar os segredos da vida, quando extenuado, ainda consegue energias
para distribuir energias;
Que é tão humano e sensível, por isso, normalmente, sente a ausência do afeto que lhe é dado raramente e de forma
pouco comunicativa.
Que, vibra, se emociona e se orgulha pelos feitos daqueles que tanto ama.
Esse homem geralmente, se agiganta e passa a Ser o valor inexorável quando deixa de existir para sempre.
Este homem de quem falo com tanto ternura não poderia deixar de ser você Papai... Obrigado por existirem amados!!!!

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Mais uma vela por seu bolo!( Wesley)

Parabéns!!
Sucesso,fé e paz!
xero!

domingo, 2 de agosto de 2009

Quase

Luiz Fernando Veríssimo

Ainda pior que a convicção do não, é a incerteza do talvez, é a desilusão de um quase! É o quase que me incomoda, que me entristece, que me mata trazendo tudo que poderia ter sido e não foi. Quem quase ganhou ainda joga, quem quase passou ainda estuda, quem quase amou não amou. Basta pensar nas oportunidades que escaparam pelos dedos, nas chances que se perdem por medo, nas idéias que nunca sairão do papel por essa maldita mania de viver no passado. Pergunto-me, às vezes, o que nos leva a escolher uma vida morna. A resposta eu sei de cor, está estampada na distância e na frieza dos sorrisos, na frouxidão dos abraços, na indiferença dos "bom dia", quase que sussurrados. Sobra covardia e falta coragem até para ser feliz! Talvez esses fossem bons motivos para decidir entre a alegria e a dor. Mas não são. Se a virtude estivesse mesmo no meio-termo, o mar não teria ondas, os dias seriam nublados e o arco-íris em tons de cinza. O nada não ilumina, não inspira, não aflige nem acalma, apenas amplia o vazio que cada um traz dentro de si. Preferir a derrota prévia à dúvida da
vitória é desperdiçar a oportunidade de merecer. Para os erros há perdão, para os fracassos, chance, para os amores impossíveis, tempo. De nada adianta cercar um coração vazio ou economizar alma. Um romance cujo fim é instantâneo ou indolor não é romance.

Apelo

Dalton Trevisan

Amanhã faz um mês quue a Senhora está longe de casa. Primeiros dias, para dizer a verdade, não senti muita falta, bom chegar tarde, esquecido na conversa de esquina. Não foi ausência por uma semana: o batom ainda no lenço, o prato na mesa por engano, a imagem de um relance no espelho.
Com os dias, Senhora, o leite primeira vez coalhou. A notícia de sua perda veio aos poucos: a pilha de jornais ali no chão, ninguém os guardou debaixo da escada. Toda a casa era um corredor deserto, e até o canário ficou mudo. Para não dar parte de fraco, ah Senhora, fui beber com os amigos. Uma hora da noite eles se iam e eu ficava só, sem o perdão de sua presença a todas as aflições do dia, como a última luz na varanda.
E comecei a sentir falta das pequenas brigas por causa do tempero da salada - o meu jeito de querer bem. Acaso é saudade, Senhora? Às suas violetas, na janela, não lhes poupei água e elas murcham. Não tenho botão na camisa, calço a meia furada. Que fim levou o saca-rolhas? Nenhum de nós sabe, sem a Senhora, conversar com os outros: boca raivosas mastigando. Venha para casa, Senhora, por favor.

sábado, 1 de agosto de 2009

Para se apaixonar precisa primeiro abrir os olhos do coração
Depois precisa cultivar um olhar
Até que os olhares possam se cruzar naturalmente
Então fica fácil assim
Quando acaba o assunto
É porque chegou à hora do beijo
O beijo é o começo de tudo
Ficar perto passa a ser uma constante
Assim nasce um amor
É como ele nasce como tudo que nasce
É pequeno e delicado
Por isso precisa ser alimentado
Com carinho, atitudes e encenação.
E cada dia passamos a amar um pouquinho mais
A dedicação é fundamental para aumentar a intensidade
Para gostar de alguém precisamos atribuir características de anjos
A seres humanos
Senão fizermos assim
Nossa vaidade nos impede de acreditamos que isso que estamos vivendo é amor
O dia passou calmo e nublado
Eu quis aproveitar a folga para ficar um pouco em casa
Arrumar livros, gavetas e louças.
E mexendo e uma caixa de coisas antigas
Encontrei uma fotografia sua
Juro que nem lembrava mais da existência de algo que me fizesse pensar em você
Um dia num gesto descontrolado acabei com todas as coisas que me fazia pensar em você.
Hoje confesso que já não sofro mais vendo suas fotografias
Nunca tenho tempo para pensar em nós dois.
O tempo e destino me fizeram tomar outros rumos
E nós dois deixou de existir.
Hoje refiz uma leitura do passado
E percebi que consegui muito, pois parti de um ponto que só
Existiam dúvidas
E já não sabia mais sonhar.

Aos poucos comecei a viver
A cada dia a ferida fechava um pouco
E hoje só tem a cicatriz
O tempo conseguiu apagar a dor
E quando olho pra trás vejo o quanto evolui
E natural ainda lembrar
Me dar forças pra ir em frente
E posso acreditar no futuro.